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Caco Velho, o mestre inimitável


Pode me chamar de louco
Que até acho pouco
Pode dizer o que quiser
Pode até me dar pancada
Que eu não digo nada
Porque o meu fraco é mulher

O sambista Caco Velho, gaúcho contemporâneo de Lupicínio Rodrigues, foi artista de sucesso no Brasil e no mundo. Desde a infância demonstrava talento, batucando na caixa de fósforo e cantando sambas da época, enquanto vendia doces e balas ao público da casa noturna Florida, em Porto Alegre.

Na juventude, passou a compor e se apresentar em casas noturnas da capital gaúcha. Logo foi convidado a atuar nas rádios, não só no Rio Grande do Sul, mas também no Uruguai, Argentina e Paraguai, em cassinos e boates, como instrumentista e cantor.

Conquistou estrelato em São Paulo e Rio de Janeiro, tendo sido artista contratado pela rádio Tupi por 20 anos. Reza a lenda que Walt Disney, no Brasil, buscando inspiração para criar o personagem Zé Carioca, encontrou Caco Velho, e tudo leva a crer que não esqueceu o jeito malandro do sambista. Suas gravações passaram a fazer sucesso na Rádio Record(SP), Rádio Nacional e Rádio Guanabara(RJ).


Caco Velho foi o primeiro artista a cantar na televisão. Atuou no cinema, nos clássicos “Mulher de verdade”, “Carnaval em Lá Maior” e “Carnaval Atlântida”, ao lado de Grande Otelo, Oscarito e Dick Farney.

A carreira internacional começou com excursão à Paris com sua orquestra. Na capital francesa foi apelidade “Le Petit Caco”, tendo sido contratado para gravar um LP, que se chamou “Une Soirré a La Macumba”. Artistas famosos de Hollywood, como Fred Astaire, tornaram-se fãs entusiastas de Caco Velho. A canção “Barco Negro” foi gravada por cantores de diversos países.


Caco Velho era caprichoso com a produção musical e visual de seu show. Em apresentações sempre lotadas, comparecia com vestes impecáveis, terno engomado, gravata, cabelo alisado, perfume, sapato engraxado. Era reconhecido como um músico “alinhado” (na moda), tanto nas classes média-alta, entre artistas e políticos, assim como na esfera popular. Teve até música plagiada no exterior. Fato este muito noticiado pela imprensa.

Nos anos 60 embarcou, com seu conjunto, para os estados Unidos, contratado pelo empresário de Benny Goodman. Tocou em Las Vegas e São Francisco, e permaneceu nos EUA por alguns anos, apresentando-se com grandes músicos americanos. Mais tarde, foi morar em Portugal, convidado para atuar na TV em Lisboa, tendo se apresentado em Porto, Coimbra, Ilha de Madeiras, ao lado dos artistas de destaque do fado português.

De volta ao Brasil, participou na TV dos programas “Essa Noise Se Improvisa”, de Blote Junior, programa Hebe Camargo, programa Dercy Gonçalves, “Roda de Samba”, na TV Globo, “Almoço Com As Estrelas” (TV Tupi), Programa Flávio Cavalcante.

Caco Velho foi um mestre inimitável, empático, cheio de bossas. Deixou como discípulo do sambista e companheiro Germano Mathias, outro talentoso artista do ritmo sincopado. A canção “Barco Negro” foi imortalizada pelo cantor Ney Matogrosso e tornou-se sucesso mundo afora, sendo regravada em diversas linguas. O samba “O Meu Fraco É Mulher” é cantado até hoje por diversos grupos das novas gerações.

Frases
“Pagou cachezinho, estou lá!”, em entrevista ao Jornal O Mundo de São Paulo, 14/04/1961.
“Compositor já vem com o micróbio do berço”, Radio Piratini, 1958.
“Já vivi na França e agora, mais recentemente, nos Estados Unidos; mas nunca encontrei uma hospitalidade e uma simpatia como em Portugal, onde é agradável ouvirmos a nossa língua e notarmos a mesma forma de sentir, de ver as coisas.”
“O samba nunca será destronado pela Bossa Nova nem por qualquer outra. O samba é a maior expressão da música do Brasil.Todos os compositores que o escrevem começam por batucar na caixa de fósforos, só assim ganhando o sentido de ritmo. E samba é a cuíca, o pandeiro, o reco-reco e o gaúza. Samba é Brasil.”

Caco Velho é um artista que traduz a essência da alma brasileira. Morreu aos 52 anos, 40 dos quais dedicados à música popular, pois começou ainda criança a cantar no rádio. É um músico brasileiro que não se deve deixar cair no esquecimento.

Noel Rosa, o cantor de todas as classes

Com Que Roupa?
Noel Rosa

Agora vou mudar minha conduta, eu vou à luta pois eu quero é me aprumar
Vou tratar você com a força bruta, pra poder me reabilitar
Pois esta vida não está sopa e eu pergunto: com que roupa?
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou?

Agora, eu não ando mais fagueiro, pois o dinheiro não é fácil de ganhar
Mesmo eu sendo um cabra trapaceiro, não consigo ter nem pra gastar
Eu já corri de vento em popa, mas agora com que roupa?
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou?

Eu hoje estou pulando como sapo, pra ver se escapo desta praga de urubu
Já estou coberto de farrapo, eu vou acabar ficando nu
Meu paletó virou estopa e eu nem sei mais com que roupa
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou?

Compositor, músico e cantor brasileiro.

Neste ano, em 11 de dezembro, um dos maiores compositores de samba de todos os tempos, Noel Rosa, completaria 100 anos.

Noel Rosa era médico de formação, mas ficou famoso em todo o país como sambista, cantor, compositor, além de bandolinista e violonista. Ele é tido como o primeiro a trazer o samba de morro para a rádio e para as classes mais abastadas. É um dos mais importantes mestres da música popular brasileira. Seu trabalho é referência para os músicos em busca da essência do samba e da cultura brasileira do século XX.

Noel morreu muito jovem, aos 26 anos, de problemas relacionados à tuberculose. Era boêmio, apreciador de tabaco, bebidas e noitadas com amantes. Deixou de herança ao Brasil mais de trezentas composições nas quais o bom humor das letras, a genialidade das melodias e arranjos foram apreciados por admiradores de todas as classes sociais do seu tempo e integram até hoje repertório de shows de artistas de sucesso.

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Nélson Cavaquinho, o sambista melancólico

Nélson Cavaquinho no Teatro Opinião, São Paulo - 1982


TATUAGEM
O meu único fracasso
Está na tatuagem do meu braço
É feliz quem já viveu aflito
E hoje tem a vida sossegada
Muita gente tem o corpo tão bonito
Mas tem a alma toda tatuada

EU E AS FLORES
Quando eu passo
Perto das Flores
Quase que elas dizem assim:
Vai, que amanhã enfeitaremos o seu fim
A nossa vida é tão curta
estamos neste mundo de passagem
Ó meu grande Deus, nosso criador
A minha vida pertence ao Senhor

O maior boêmio do samba carioca. Um cara que pouco se lixava para a mídia e para as rádios. Compunha sambas autênticos, mas só em meados dos anos 60 começou a ser reconhecido e respeitado como um dos maiores artistas deste país. Nunca se falou de sentimentos humanos, como a melancolia, a tristeza, de maneira tão profunda como aparece na obra de Nélson e seu parceiro de composição, Guilherme de Brito.

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